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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CAP – 8 – RESTOS DE FAMÍLIA.



Agora em fim teria chego nossa hora? Tudo indicava que sim.
Minha mãe segurava um dos espetos sem firmeza, enquanto Anny me passava os que estavam em suas mãos.
—corram lá para cima “crianças”.
—não vamos deixar a senhora aqui!
—vão! – gritou – façam por mim.
A olhando com angustia segurei Anny pelo braço. Juntos subimos a escada.
Agora a menina havia parado de caminhar. Apenas olhava fixamente para minha mãe.
—vai para o meu quarto Anny!
—Erick...
—vai que eu já vou!
Quando Anny em fim me obedeceu a “menina” largou coração no chão e assim como antes ergueu uma de suas mãos fazendo com que imediatamente minha mãe fosse forçada a se encostar contra a parede.

Logo uma mancha de sangue surgiu no centro de sua blusa Branca. Enquanto morria seus olhos me fintavam.
Eu não podia ficar olhando aquilo. Algo mais forte do que eu me fez descer as escadas. Mas a menina era esperta. Com sua outra mão me jogou contra a lareira, me fazendo deixar os espetos cair enquanto batia a cabeça. O corpo da minha mãe já estava desfalecido no chão e a atenção da menina se voltara toda contra mim.
Só com seu olhar rancoroso me fez levantar. Já podia sentir o sangue quente sair de minhas narinas.
•••


—você não vai matar o que restou da minha família! – gritou Anny, que sem eu perceber desceu as escadas e pegou os espetos de ferro. – vadia! – disse em fim fazendo o ferro atravessar a menina que imediatamente desapareceu.
— nossa... Mãe! – exclamei quase sem voz.
Ela me encarou e se aproximou do corpo confirmando sua morte.
—temos que sair daqui... Agora somos só eu e você. – indagou enquanto estendia um dos espetos ate mim.
Com dificuldade me levantei e fui ate ela. Usei o espeto como uma espécie de bengala. Em seguida caminhamos ate a porta.
—droga!
— Anny, por favor, não me diga que...
—a porta não abre. – concluiu.
—estou com muita dor!
—que eu faço Erick? Eu não quero que você morra!
—você... Precisa sair daqui Anny – disse entre soluços
—... Perdoa-me se eu não fui uma boa irmã... Eu te juro que se eu pudesse voltar no tempo...
—irmãzinha... Não fica assim, eu tenho um plano, você vai sair daqui, e vai buscar ajuda.
—não! – disse ela enquanto me via caminhar ate a janela próxima dali.
Tirei minha blusa e a enrolei sobre a mão. Em um rápido movimento quebrei o vidro da mesma.
—vai.
—vem comigo!
—eu não vou agüentar caminhar tanto!
—Erick!
—tenho que acabar com ela...
—Mais como?
—você vai ver quanto voltar... Agora, vai.
—ta, vamos sair dessa. – antes de pular a janela com dificuldade, Anny pegou o outro espeto que estava junto ao corpo de nossa mãe e me entregou.
—fica com os dois.
Quando ela saiu o silencio amedrontador tomou conta do lugar. Quase vencido pelo cansaço deslizei meu corpo sobre a parede, minhas duas mãos sujas de sangue agora estavam enxugando lagrimas, as lagrimas que há horas eu segurava.

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